Obesidade

A obesidade é uma doença crônica caracterizada pelo excesso de gordura no corpo. Esse acúmulo ocorre quando a oferta de calorias é maior que o gasto de energia corporal. A obesidade aumenta o risco de diversas doenças associadas (comorbidades) e resulta em sérios prejuízos à saúde. São vários fatores que levam à obesidade. Geralmente é uma combinação de fatores genéticos, ambientais e psicológicos. 

Atualmente utilizamos uma classificação baseada no IMC (Índice de Massa Corporal) para classificar os pacientes em relação ao seu peso. O IMC é calculado levando-se em consideração o peso e a altura dos pacientes através da fórmula: IMC= P/A². Os indivíduos são classificados como desnutridos, normais, sobrepeso, obesidade grau I, obesidade grau II, obesidade grau III, superobesos e super-superobesos. 

Pesquisas mostram uma forte relação entre herança genética e obesidade. Sabe-se que pais com peso normal têm em média 10% dos filhos obesos. Quando um dos pais é obeso, 50% dos filhos certamente o serão. E, quando ambos os pais são obesos, esse número pode subir para 80%. 

Atualmente vivemos uma epidemia de oferta de alimentos processados, ricos em sódio, açúcar e gorduras saturadas. Infelizmente é muito mais barato e saboroso termos uma alimentação inadequada do que uma alimentação saudável. Do ponto de vista nutricional a nossa sociedade “involuiu”, de forma que hoje a mudança de hábitos é muito mais difícil e sofrida para os pacientes. O consumo exagerado e contínuo de alimentos de alto valor calórico, com pobre qualidade nutricional, muitas vezes desencadeado por transtornos de compulsão alimentar ou quadros de ansiedade é um dos grandes responsáveis pelo aumento nos índices de obesidade. 

O sedentarismo é outra causa de obesidade. O gasto energético diminuído com os confortos da vida moderna somados ao estilo de vida das pessoas faz com que o sedentarismo atinja mais de 50% da população. Estudos recentes mostram que somente 30% das pessoas praticam regularmente atividades físicas. 

Atualmente, existem 600 milhões de pessoas obesas no mundo, 30 milhões somente no Brasil. Em 2015, a estimativa foi de que 2,3 bilhões de pessoas estavam com excesso de peso e que haviam 700 milhões de obesos no mundo inteiro. Levantamento do final de 2014 da Organização Mundial da Saúde (OMS) revelou que 54,1% da população brasileira estava acima do peso. 

 

Doenças Associadas à Obesidade (Comorbidades) 

 

As chamadas comorbidades são um conjunto de doenças crônicas e muitas incuráveis que se desenvolvem com maior frequência nos paciente obesos. Todas elas de uma certa forma colaboram para a redução da expectativa de vida dos pacientes obesos (em média redução de 12 anos). A seguir uma lista das doenças mais comumente consideradas comorbidades da obesidade: 

Diabetes Mellitus 

Geralmente a obesidade predispõe ao surgimento do Diabetes Mellitus do tipo 2, que é associado com resistência dos tecidos à ação da insulina. Essa resistência leva ao aumento do açúcar (glicose) no sangue por impedir que ele se transforme em energia. O umento da glicose, ou hiperglicemia, tem efeitos devastadores nos vasos sanguíneos, rins, coração e na retina. O tratamento da obesidade cura até 90% dos casos de Diabetes relacionados ao excesso de peso.

 

Hipertensão Arterial Sistêmica 

A obesidade está associada ao aumento da pressão sanguínea, quase sempre com necessidade de uso contínuo de medicações para controle. A HAS está fortemente associada à aterosclerose (endurecimento dos vasos sanguíneos), infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral e insuficiência renal crônica. Semelhante ao diabetes, a resolução da hipertensão ocorre em aproximadamente 90% dos pacientes que emagrecem após o tratamento da obesidade. 

Apnéia do Sono 

A apneia é a interrupção da respiração durante o sono, podendo durar até 40 segundos em casos graves. É muito frequente em pacientes obesos e acompanha-se de roncos desagradáveis, sonolência durante o dia e alterações de humor. Sabe-se que o tratamento da obesidade resulta em melhora significativa da apnéia, podendo curar boa parte dos pacientes. 

Doenças Articulares 

Desgaste articular (artrose), especialmente na coluna, joelhos e tornozelos acometem 90% dos pacientes obesos. Muitos têm indicação de cirurgia ortopédica, com colocação de próteses, parafusos e placas para resolução do problema, mas necessitam perder peso antes, sob risco de não se recuperarem adequadamente. Frequentemente pacientes obesos, após emagrecerem, deixam de sentir dores articulares e muitos não necessitam mais cirurgias ortopédicas para retornarem à sua vida normal. 

Aumentos do Risco de desenvolver Câncer

 

A obesidade aumenta o risco de desenvolvimento de câncer de intestino grosso, câncer de pâncreas, câncer de vesícula biliar, câncer de esôfago, câncer de mama, câncer de ovário, câncer de útero. Sabe-se que as taxas de morte por câncer chegam a ser 50% maiores em pacientes obesos. Definitivamente o tratamento da obesidade, seja com tratamento clínico, seja com cirurgia, reduz o risco de desenvolver estas doenças a índices normais. 

Outras Comorbidades: 

Colesterol alto (dislipidemia), esteatose hepática (gordura acumulada no fígado), asma brônquica, síndrome dos ovários policísticos, infertilidade, depressão. 

Tratamento Cirúrgico da Obesidade 

 

O tratamento cirúrgico da obesidade (cirurgia bariátrica) é reservado para pacientes com obesidade mórbida, ou seja, com IMC> 35 Kg/m² com alguma comorbidade ou acima de 40 Kg/m² independente da existência de comorbidades. É o tratamento de escolha para estes pacientes há mais de 20 anos e caracteriza-se por ser um procedimento seguro que pode ser realizado com técnicas minimamente invasivas sem a necessidade de grandes incisões ou internações prolongadas. 

O Dr. Lucas Brandão e sua equipe são especializados em cirurgia minimamente invasiva e possuem treinamento específico para oferecer o que há de mais atual e seguro na cirurgia da obesidade. 

Os pacientes com indicação de cirurgia passam por uma avaliação minuciosa composta de exames complementares e consultas de avaliação e preparo com especialistas de diversas áreas específicas. 

Espera-se que os pacientes submetidos à cirurgia bariátrica percam até 100% do seu excesso de peso em até três anos (ex: uma pessoa com 120 Kg, cujo peso ideal é 80 Kg, espera-se que perca até 40 Kg após o procedimento). 

Já o resultado a longo prazo da cirurgia bariátrica depende de uma boa avaliação e preparo pré-operatório e um seguimento por toda a vida com a equipe multidisciplinar.

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