Doenças da Vesícula (Colelitíase/Colecistite)

O que é colelitíase

É a presença de pedras no interior da vesícula biliar. A vesícula é um pequeno órgão em forma de saco, localizado próximo ao fígado. Ela armazena a bile, um líquido amarelo esverdeado espesso produzido pelo fígado. Após a alimentação, a vesícula se contrai liberando bile ao intestino, esta entra em contato com o alimento, continuando a digestão iniciada pelo estômago. 

A função básica da bile é digerir as gorduras e ajudar na absorção de importantes nutrientes como as vitaminas A,D,E e K. 

A colelitíase é frequente na população de 20 a 60 anos, principalmente em mulheres. 

 

O que causa a formação destes cálculos

A causa da formação das pedras ainda não é bem conhecida. Algumas pessoas que têm problemas sanguíneos relacionados à destruição de hemácias têm maior chance de ter pedras na vesícula, pois a vesícula usa os glóbulos vermelhos destruídos para a produção excessiva de bile. Pode haver aumento da secreção de colesterol pelo fígado ou a vesícula ter alguma dificuldade de esvaziamento. 

 

Os fatores de risco são: 

 

  • Mulheres em idade fértil, principalmente por volta dos 40 anos. 

  • Mulheres que tiveram múltiplas gestações. 

  • Obesidade. 

  • Emagrecimento acentuado: aumenta a perda de colesterol na bile. 

  • Uso de contraceptivos orais. 

  • Gravidez. 

  • Sedentarismo. 

  • Idade avançada. 

  • Úlceras duodenais: provocam certa estase (perda de contração) da vesícula facilitando a formação de cálculos. 

  • Pacientes submetidos a cirurgias gástricas para tratamento de câncer, úlcera ou vagotomias, podem ter maior propensão a formar cálculos biliares. 

  • Anemia hemolítica crônica. 

  • Uso de dieta parenteral (nutrição pela veia). 

 

Quais são os sintomas da pedra na vesícula

 

Muitas pessoas com pedras na vesícula não apresentam sintomas e nem sequer sabem desta condição. Às vezes, descobrem estes cálculos quando estão investigando alguma outra patologia. 

Para aqueles que apresentam sintomas, geralmente observa-se: 

  • Intolerância quando ingerem alimentos gordurosos como frituras, gema de ovo, empadas, carnes gordurosas, etc. 

  • Mal estar e dor de cabeça podem estar presentes. 

  • Nos quadros mais agudos, há uma dor abdominal intensa, constante, no lado direito do abdome abaixo da costela, próximo ao estômago ou nas costas. A dor é forte, súbita e localizada e o abdome fica endurecido. Dura de 30 minutos a 5 horas. 

  • Náuseas, vômitos acompanham com frequência a dor abdominal. 

Quando além da dor do lado direito do abdome há febre, calafrios e icterícia (amarelão) pode ser um caso de colecistite aguda, uma inflamação aguda da vesícula. Nesses casos, a urina pode ficar escura (amarronzada) e as fezes claras. 

 

Quais são as complicações da colelitíase

 

As principais complicações são: 

  • Cólica biliar: ocorre quando uma das pedras fica presa na saída da vesícula impedindo o fluxo de bile, levando a uma distensão importante e a um esforço para expelir a pedra. O resultado é uma dor tipo cólica. 

  • Colecistite aguda: quando a pedra fica presa logo na saída da vesícula por um período prolongado ocorre a chamada colecistite aguda, uma inflamação aguda da vesícula biliar com dor intensa e constante, geralmente acompanhada de febre. 

  • Coledocolitíase: é o resultado da migração de uma pedra da vesícula biliar para o colédoco, que é o principal canal que leva a bile desde o fígado até o intestino, obstruindo-o. Nestes casos o paciente fica ictérico (pele e parte branca dos olhos ficam amareladas) pois a bile fica impedida de chegar ao intestino, acumulando-se no fígado e no sangue. 

  • Colangite: é a infecção dos canais biliares por bactérias após a obstrução, já que a bile parada favorece a proliferação de bactérias. 

  • Pancreatite: é a inflamação do pâncreas. O canal que leva a bile da vesícula para o intestino passa dentro do pâncreas e se junta com o canal principal que drena o suco pancreático. Quando o cálculo obstrui esses ductos, o suco pancreático fica retido e acaba agredindo o próprio pâncreas. 

A colangite e a pancreatite são as complicações mais graves. 

 

Tratamento 

 

Hoje em dia a extração da vesícula biliar quase sempre é feita por via laparoscópica. Este procedimento tem sobre a cirurgia aberta a vantagem de exigir menores incisões e cicatrizes mais discretas, menos dor no pós-operatório e uma recuperação mais rápida. O preparo para a colecistectomia laparoscópica exige realização de exames pré-operatórios de rotina, o médico deve ser informado sobre que remédios o paciente está tomando e decidir se é ou não necessário interrompê-los. A paciente mulher deve informar se está ou tem a possibilidade de estar grávida. Deve ser observado um jejum absoluto de pelo menos oito horas. A colecistectomia laparoscópica deve ser realizada sob anestesia geral. O cirurgião então introduz, por uma das pequenas aberturas feitas na parede abdominal, um tubo fino, o laparoscópio, conectado a uma câmara especial que lhe dá uma imagem aumentada dos órgãos internos do paciente, projetada numa tela de televisão. Outras cânulas contendo material cirúrgico são inseridas para permitir ao cirurgião separar delicadamente a vesícula das estruturas que a cercam e extraí-la através de uma das aberturas. Se o cirurgião encontra cálculos no colédoco, pode extraí-los usando um endoscópio especial, nessa ou numa futura cirurgia. Depois que o cirurgião extrai a vesícula, as pequenas incisões são fechadas com um ponto ou dois ou com uma cola cirúrgica

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